Garotos Podres são interrogados pela polícia por conta de Papai Noel Velho Batuta
- Leila Benedetti

- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A Garotos Podres surpreendeu seus fãs com uma postagem séria em suas redes sociais. De acordo com a banda, seus membros e empresário foram indiciados e interrogados pela polícia por conta da música Papai Noel Velho Batuta, lançado durante os últimos suspiros da Ditadura Militar, em 1985.
A denúncia feita descrevia o seguinte: “Papai Noel Velho Batuta - Nessa música, apesar de Papai Noel ser uma figura lendária, que representa uma cultura mundial cristã e os mesmos na letra usam de palavras que incentivam a violência em pessoas, ao falarem de sequestro e morte. Que o motivo primordial da denúncia, diz respeito à impedir a apresentação da Banda…”. O autor da denúncia não foi revelado para evitar um possível processo judicial, mas foi citado pela Garotos Podres como uma “Seita de Fanáticos de Extrema-Direita”.
Ainda segundo a banda, essa denúncia foi uma tentativa falha que não prejudicou nem a música e nem seus autores, que continuam seguindo em frente com seus trabalhos, mas rendeu um clipe novo para a Papai Noel Velho Batuta, de tom cômico e animado por Leandro Franco. Neste video, a banda não apenas faz uma crítica à desigualdade social apontada na música, como também a repressão militar, que parece querer voltar discretamente para o país.
O som da Garotos Podres vs. censura
A Garotos Podres surgiu em 1982 em meio a repressão militar que governava na época e, apesar do ácido tom de protesto, típico da cultura punk, nunca passaram por um interrogatório policial, mas sim tiveram apenas duas músicas censuradas no máximo. “O procedimento desse Órgão [o extinto Departamento de Censura da Polícia Federal] sempre foi ‘burocrático’. Eram encaminhadas as cópias das letras, que depois respondiam, aprovando ou não”, explica o post no Instagram da banda.
Papai Noel Velho Batuta foi lançada no disco de estreia Mais Podres do que Nunca. A música foi aprovada de primeira, enquanto que duas do mesmo álbum, Johnny e Vou Fazer Cocô, foram censuradas, mas sem levar a banda para um interrogatório ou a enfrentar punições mais severas. A situação de agora foi considerada surreal por se tratar de uma música lançada e aprovada há 40 anos atrás e ainda fazer com que a Garotos Podres passe por um interrogatório décadas depois do fim da ditadura no Brasil.







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